Cosmologia de Atheriom

O Universo de Atheriom

Atheriom é um universo cujos elementos mais básicos fragmentaram-se pelo espaço no momento de seu surgimento. Cada força física, vital e mental que age sobre a realidade, algumas mais fortes e outras menos, já estiveram unidas, mas hoje possuem sua existência separada dos demais.

Por um lado, têm materialidade, formando os chamados Planos de Existência, corpos físicos que mais parecem mundos inteiros, cada um com sua história. Por outro lado, cada uma destas entidades possui a chamada Energia, a capacidade de agirem sobre a realidade e exercer sua vontade.

Cada entidade é sempre mais forte em seu próprio Plano de Existência, o qual controla quase absolutamente. Quase, pois cada força destas ainda possui resquícios, e pode desenvolver-se, nos demais planos espalhados pelo Cosmos, introjetando-se neles e sujeitando-os, em minúsculas proporções, à sua própria vontade.

Nove destas entidades possuem grande parcela na determinação da realidade, sendo os maiores fragmentos de Atheriom. Três delas são físicas, formando e modelando a realidade, três são vitais, fazendo surgirem e desenvolverem os seres vivos, e três são mentais, sustentando as mentes dos seres inteligentes. Existem outras entidades menores, algumas bastante poderosas e atuantes por todo o cosmos, outras muito menores, que não conseguem nem mesmo sustentar um plano de existência, vagando como seres por entre os demais planos.

As Nove Entidades Primordiais

As três entidades físicas são Rokhop, que criou os fundamentos físicos dos mundos e é responsável pelas propriedades de sustentação, de rigidez e de solidificação da matéria; Lidwug, que controla o fluxo da matéria e do tempo, patrono das águas, dos ventos e dos ciclos da realidade; finalmente, Gorphan, responsável pela transformação da matéria através da variação de temperaturas, realizando uma transição entre Rokhop e Lidwug.

As três entidades vitais são Hirbuen, que controla o surgimento, o persistir e o crescimento de tudo o que é vivo, tendo feito surgir as primeiras florestas em seu plano de existência; Vorazi, a força que dividiu sua energia com os animais e com a própria natureza, dando-lhes alma, conferindo-lhes a selvageria, o instinto e a impetuosidade; por fim, Cephrast, que permite que a alma não sofra presa a corpos desintegrados, levando-a para seu plano de sombras e corrompendo os cadáveres.

Finalmente, as três entidades mentais são Seladre, que confere ordem ao cosmos, separando cada um dos planos e zelando pela não interferência entre as entidades; Boarlek, que personifica o próprio caos, buscando destruir tudo que se estabeleça como unidade em Atheriom, desmanchando leis físicas, criando anomalias nem mortas, nem vivas, e levando as mentes racionais à loucura; Aman’Uhr, por sua vez, realizando a transição entre a ordem e o caos, personifica a harmonia, a criatividade e o equilíbrio.

Os Planos de Existência

Cada uma destas divindades, além de impor sua vontade sobre a realidade, também possui um corpo material, tão gigantesco que os seres vivos em geral os vêem como dimensões ou mundos inteiros. Cada um destes planos de existência reflete a vontade da divindade que representa.

O primeiro plano a surgir foi o de Rokhop, Petram’opos, uma estática massa de rochas e cristais, seguido pelo nunca constante mundo de Lidwug, Fluent’opos, formado de fluxos de mares e vapores. Com Gorphan surgiram as transições entre estes estados da matéria, criando Ignis’opos, um local de rochas negras, rios de lava derretida, vapores escaldantes, e tal transição da realidade possibilitou que o tempo e a matéria fluíssem em Petram’opos, e que locais sólidos emergissem em Fluent’opos.

Em um mundo já dotado deste equilíbrio material, Hirbuen criou a vida, em um brotamento cíclico que recheou seu plano, Lign’opos, de florestas, gramados e animais simples. Estes seres tornaram-se vivos por receberem a energia de Hirbuen em seus corpos, em pequenas quantidades, chamadas de almas. Em seguida, Vorazi compôs com seu corpo o plano de Besti’opos, no qual surgiram animais, presas e predadores, e a natureza tornou-se mais dinâmica, o que, invariavelmente, causou a desestruturação de alguns seres vivos. Foi Cephrast que fez surgir Umbram’opos, um local para as almas desencarnadas poderem seguir, quando seus corpos tornassem-se insustentáveis à vida. Contudo, Cephrast, com a impiedade pela qual a morte é conhecida, passou a escravizar estas almas, tornando-as habitantes em seu próprio plano, sugando suas almas para tornar-se mais poderosa.

Assim como Gorphan fez modificar-se os planos que surgiram antes dele, o aparecimento da vida fez com que as outras entidades criassem seres vivos em seus próprios planos, adaptados ao ambiente que a vontade de cada divindade criava.

Finalmente, quando o ciclo da vida se estabelecia como mais ou menos constante, Seladre moldou os primeiros seres inteligentes, ou seja, cujas almas poderiam desenvolver-se por si só, e criar uma compreensão das leis que regem a realidade, ou seja, uma consciência das forças das entidades cósmicas. Assim surgiu Legem’opos, e seus habitantes tornaram-se os legisladores da realidade. Boarlek, a entidade da loucura, foi a única que, em seu plano, conturbou as leis da realidade já criadas. Em Somni’opos, todos os objetos parecem oníricos e irreais, as coisas acontecem de modo instável e estranho, e as leis da realidade se corrompem assim como os animais nos planos de Cephrast.

Aman’Uhr, a divindade compositora, reuniu suas forças para fazer com que seu plano formasse um equilíbrio entre todos estes elementos. Abriu as fronteiras de sua dimensão para que as outras entidades ali influenciassem, usando sua energia apenas para controlar esta influência. O equilíbrio encontrado foi tão próximo da real proporção das forças no cosmos que seu plano foi chamado de Atheriom, o próprio nome da realidade como um todo. Neste plano, Aman’Uhr criou seres dotados de uma razão, mas deixou-os desenvolverem-na à própria sorte, sem os levar à razão nem à loucura sendo, portanto, o patrono da liberdade, própria da maior parte dos seres racionais do cosmos.

As Relações Conflituosas entre as Entidades Cósmicas

A vontade de cada uma destas entidades se manifesta mais claramente nas dimensões que cada uma delas criou no cosmos. Estas dimensões têm suas fronteiras resguardadas por Seladre, que foi o responsável pela separação da realidade e estabelecimento das leis gerais do universo, possibilitando que, pela diferenciação, cada objeto, cada ser vivo e cada parte da realidade pudesse modificar-se e desdobrar-se no tempo.

Como pode-se perceber, em cada trio de divindades, há duas basicamente opostas, e uma que cria um equilíbrio entre elas. Entre a solidez de Rokhop e a volatilidade de Lidwug, é Gorphan quem controla a variação das temperaturas e das fases; entre o brotar de Hirbuen e as sombras decadentes de Cephrast, há a violência de Vorazi; por fim, Aman’Uhr administra uma liberdade de pensamento e criação, que permite aos seres inteligentes cultivarem uma reta razão vinda de Seladre, ou despencarem no abismo da loucura de Boarlek.

Logo, se Seladre dividiu os planos e os mantém separados, é Boarlek quem busca quebrar tais barreiras e unir toda a existência na unidade primordial, na qual nada se diferencia e tudo volta a ser uma coisa só. Atheriom é um mundo em constante mudança, no qual os caprichos das entidades, chamadas por alguns de divindades, decide o destino de todos os seres e de todos os planos da existência.

Cosmologia de Atheriom

DW - A Muralha de Ferro JWillian